Estudo na 'The Lancet' confirma eficácia da Wolbachia com queda de 63% na dengue em Campo Grande
Pesquisa internacional, com participação da SES e UFMS, valida tecnologia que utiliza mosquitos com bactéria para travar a transmissão de doenças na Capital.
Uma colaboração científica de peso global acaba de colocar Campo Grande em destaque na prestigiada revista The Lancet Regional Health – Americas. O estudo, que será publicado em fevereiro de 2026, comprova o sucesso da estratégia Wolbachia na Capital sul-mato-grossense, revelando uma redução de 63,2% na incidência de dengue em 2024 nas áreas onde o método foi consolidado.
Como funciona a "Tecnologia Wolbachia" Diferente dos métodos tradicionais, esta estratégia não utiliza venenos. Cientistas inserem a bactéria Wolbachia em ovos de Aedes aegypti. Quando esses mosquitos se tornam adultos e se reproduzem na natureza, eles transmitem a bactéria para seus descendentes.
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Bloqueio Biológico: A presença da bactéria no mosquito dificulta a multiplicação dos vírus da dengue, zika e chikungunya, impedindo que o inseto transmita a doença ao picar um humano.
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Autossustentabilidade: Uma vez estabelecida na população de mosquitos, a proteção se mantém sozinha ao longo do tempo.
Números do Projeto em Campo Grande O estudo, que serviu como tese de doutorado na UFMS pela pesquisadora Fabiani de Morais Batista, apresenta dados robustos de uma força-tarefa iniciada em 2020:
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Escala: Mais de 100 milhões de mosquitos foram liberados em seis regiões urbanas da cidade.
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Estabilidade: A bactéria atingiu uma prevalência média de 86,4% nos mosquitos monitorados, superando o índice de 60% necessário para a eficácia do método.
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Parceria: A Secretaria de Estado de Saúde (SES) foi peça-chave, cedendo o espaço no Lacen/MS para a fábrica de mosquitos e suporte logístico.
Ciência de Alto Nível A pesquisa é a primeira avaliação programática da técnica no Brasil e uniu cientistas da Fiocruz com universidades renomadas como Yale, Stanford, USP e Monash (Austrália). Para a secretária adjunta de Saúde, Crhistinne Maymone, coautora do artigo, os resultados mostram que a integração entre ciência, gestão pública e o SUS é o caminho mais eficiente para enfrentar as arboviroses sem depender exclusivamente de inseticidas.