EUA pressionam Europa por Groenlândia e elevam tom contra o Federal Reserve
Secretário do Tesouro pede "mente aberta" a aliados sobre controle da ilha ártica, enquanto Washington mantém ofensiva para substituir diretora do Banco Central americano.
O cenário geopolítico e econômico global vive um dia de forte tensão com os desdobramentos vindos de Washington e do Fórum Econômico Mundial em Davos. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, atuou nesta terça-feira (20) como porta-voz de uma agenda agressiva do governo Donald Trump, que combina pressões territoriais, tarifárias e institucionais.
Crise Transatlântica e Groenlândia Bessent instou os líderes europeus a evitarem retaliações contra a intenção dos EUA de assumir o controle da Groenlândia, classificando a ilha como "estratégica". O apelo ocorre em um momento crítico:
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Tarifas como Barganha: O governo confirmou uma taxa de 10% sobre oito países europeus a partir de fevereiro. Para Bessent, o imposto não é um ataque, mas uma ferramenta para forçar a Europa a negociar temas de segurança e defesa.
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Cobrança na Otan: Washington voltou a criticar o desequilíbrio de gastos militares, alegando que os EUA investiram US$ 22 trilhões a mais que os aliados desde 1980.
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Resistência Europeia: Em Davos, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reagiu prontamente, declarando a soberania da Groenlândia como "inegociável".
Guerra de Braço com o Federal Reserve No fronte interno, a administração Trump tenta consolidar influência sobre o Banco Central (Fed). O ponto central é o julgamento na Suprema Corte, marcado para esta quarta-feira (21), sobre a demissão da diretora Lisa Cook.
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O Caso Lisa Cook: Trump tenta destituí-la sob a acusação de irregularidades em um financiamento imobiliário antigo. Cook nega e vê a ação como manobra política para abrir vagas no conselho para indicados do presidente.
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Confronto de Poderes: Scott Bessent criticou a intenção de Jerome Powell, presidente do Fed, de comparecer ao julgamento em apoio a Cook. O gesto de Powell é visto como uma defesa da independência da instituição frente às ameaças de Trump de processá-lo por suposta "má gestão" nas reformas da sede do banco.