O Mato Grosso do Sul registrou um desempenho sem precedentes na utilização de recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) durante o ano de 2025. Ao todo, foram injetados R$ 3,240 bilhões na economia sul-mato-grossense, um recorde histórico impulsionado, principalmente, pela pujança do setor agropecuário. O campo foi responsável por absorver 75% do montante total, superando significativamente a média de anos anteriores, que girava em torno de 60%.
O volume final de investimentos superou a estimativa inicial da Superintendência para o Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco), que previa R$ 2,7 bilhões para o estado. Diante da alta procura, o orçamento foi suplementado até atingir os R$ 3,2 bilhões aplicados. Segundo Rogério Beretta, secretário executivo da Semadesc, o recuo proporcional no setor empresarial pode ser atribuído à elevação da taxa Selic e a um cenário de incertezas econômicas nacionais, fatores que tornaram o empresariado mais cauteloso.
Dentro do segmento rural, o foco recaiu sobre o fortalecimento dos pequenos e médios produtores, que detiveram 72% das contratações. Entre as principais finalidades do crédito, destacam-se a correção de solo e a recuperação de pastagens degradadas, medidas alinhadas à meta estadual de tornar-se Carbono Neutro até 2030. Além disso, houve investimentos significativos na aquisição de matrizes bovinas, sistemas de irrigação e maquinário agrícola.
Outro ponto de destaque foi o incentivo à fruticultura e à infraestrutura de armazenamento. Com a meta de se consolidar como um novo polo citrícola no país, o estado viu crescer a demanda por recursos para o cultivo de laranjas, aproveitando o vácuo deixado por outros estados produtores. Ao mesmo tempo, o financiamento de armazéns tenta mitigar o déficit logístico provocado pelas safras recordes anuais. Para 2026, a perspectiva continua otimista, com um orçamento já aprovado de R$ 3,1 bilhões, refletindo a confiança no crescimento contínuo da economia regional.







