A mais recente sondagem da Genial Quaest expõe um cenário paradoxal na política brasileira. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mesmo enfrentando índices de reprovação que chegam a 49% e uma percepção negativa sobre os rumos do país por parte da maioria do eleitorado, encontra fôlego político em um adversário específico: o clã Bolsonaro. Segundo os dados, 56% dos entrevistados acreditam que o mandatário não merece um novo mandato, refletindo um clima de pessimismo que atinge diversos setores da sociedade.
O descontentamento popular é alimentado por indicadores econômicos e sociais preocupantes. Cerca de 43% dos brasileiros afirmam que a economia piorou nos últimos doze meses, enquanto a sensação de perda de poder de compra é compartilhada por 61% da população. Além disso, a percepção de alta nos preços dos alimentos e o avanço da criminalidade urbana geram uma sensação de insegurança que afeta a popularidade do governo, fazendo com que 56% dos cidadãos sintam que o Brasil está caminhando na direção errada.
Contudo, Lula mantém a liderança em simulações de confronto direto contra o senador Flávio Bolsonaro. O fenômeno é explicado pelo chamado fator medo. Para 46% dos eleitores, a volta de um representante do bolsonarismo ao Palácio do Planalto representa um risco maior do que a continuidade da atual gestão petista, temor que é compartilhado por 40% da amostra. Essa diferença, embora estreita, posiciona Lula como a opção preferível para aqueles que rejeitam o histórico político da família Bolsonaro.
Diante deste quadro, o Partido dos Trabalhadores enxerga na figura de Flávio Bolsonaro o oponente ideal para o pleito de outubro. A estratégia central da campanha de reeleição parece ser a de consolidar Lula como o mal menor. Ao manter a polarização viva e focar no desgaste da imagem do adversário, o governo tenta mitigar o impacto de suas próprias falhas administrativas, apostando que o receio de um eventual retrocesso institucional falará mais alto do que a insatisfação com a economia nas urnas.







